quarta-feira, fevereiro 04, 2009

NOTAS PARA O MEU CORPO SOBRE COMO EU ME SINTO OU "NOTE TO SELF"


Nosotros Somos El Jardín: agosto 2007


Eu me sinto linda com relação a você. Às vezes saio de casa de vestido rosa pra marcar minhas formas, toda no melhor momento "sequerência". Também quero ser mais magra, mas isso não faz com que eu não te ame, mesmo com um bumbum grande e chamativo, mesmo com ancas avantajadas. Acho bonito e divertido ser quem eu sou e você, meu corpo, está intrinsecamente envolvido nisso.

Aliás, penso que até pra mudar nesses quesitos corporais, como emagrecer, cortar o cabelo, comprar uma roupa nova. Acho que a gente tem que estar se amando pra vida ser boa.

barbie (Photo Courtesy of Mattel)

Ouro dia me toquei que dizer a você, corpo, a expressão "não pode" é a chave da minha neurose pra eu querer mergulhar no saco de pães justo porque é uma delícia (neurótica) burlar as leis que eu mesma me impus. Quando eu quero comer saudavelmente eu consigo, mas isso só rola quando eu quero realmente, e não quando quero brincar com você e usar você como acessório da minha maluquice.

Eu posso o que eu quiser, desde que saiba o que quero. Não é isso, corpo? Mas também quero poder não saber e ficarmos de bem. Razoalvmente de bem em nossa confusão do bem.


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgdLG840m1Z-iPvqXa2T0iHt5dLn2EAk_CRHXreKkLvfknIJxqkAzu6CLpnVV_hcgsvs7JBEn5Tu9rGgUpjXHP6w3D5_7iuZtouqkm78TJPULcXx8TTFxXSnGv67vTv0fZC106gA/s400/4f0193_Hilda.jpg

Eu não quero ser uma Barbie porque acho ela muito certinha e careta e eu não sou assim. O que gosto nela é o glamour, o brilho, a beleza ( que não passa em nenhum momento pela magreza da boneca). Acho lindo ela ser fashion, ser camaleônica. Pra mim a Barbie é meio Madonna. Ela pode o que quiser. Eu tinha umas barbies roqueiras aos 9 anos e chamava elas de minhas barbies putas. Elas usavam umas roupas meio putinhas mesmo, mas eu falava isso com o maior carinho e sem o peso moralista da palavra "puta".

Eu adoro as imperfeições. Meu namorado por exemplo pra mim é um tesão. Pra você também corpo, eu sinto. Como eu sinto.... aff... você sabe. E ele é um cara gordinho e totalmente fora dos padrões. Eu e você temos tesão em uma beleza suja, com uma barriga aqui, uma barba mal feita acolá. Jamais te colocaria um mauricinho certinho engomadinho. Deus nos livre, prezado corpo!

Eu admiro muito a beleza feminina também. Acho lindo as formas diferentes de ser. Seja magra, gorda, morena, ruiva, lisa, encaracolada, negra, branca... acho que o barato é a diferença.

Eu continuo sempre na busca de emagrecer um pouco, mas de forma saudável, sem ficar obssecada, sem dietas malucas (não mais! é muita estupidez).

Eu acho lindo ter bunda, não ter bunda. Ser loira, ser morena. Ser gordo, ser magro, muito peito, pouco peito. Mais extrovertido, menos...

http://img0.liveinternet.ru/images/attach/c/0/33/801/33801297_Jeanne_Lorioz_Le_Vetement_BlancBBW.jpg


Eu acho bacana amar e admirar os outros como eles são, e respeitar as diferenças. Eu penso muito parecido com uma pessoa que eu adoro e admiro muito. A Patrícia Morgado. Quero olhar pra uma salada com a mesma naturalidade que olho pra um sundae, sem me cobrar ou me martirizar por isso. Quero ser eu de forma confortável, sem ser julgada. Quero poder querer ser meio Barbie, meio Hilda (a gordinha dos desenhos) e um dia ou outro ver uma foto da Carolina Dieckman e querer ser que nem ela também. Tudo ao mesmo tempo agora. Eu acho todas lindas e todas tem uma beleza rica que de alguma forma quero pra mim.

Ainda estou na busca de qual é a minha. Mas não queria que minha relação com você, corpo querido, com todas as minhas ambivalências, confusões e contradições, fosse motivo, nunca, de malentendidos com pessoas que prezo e que amo.

Sou meio Barbie, meio Hilda, meio bem humorada e muito mal-humorada à vezes. Quero ser às vezes mais gorda, às vezes mais magra. Quero ser gulosa e quero ser comedida. Quero agitação e quero calmaria. Quero ser amada e quero ser aceita em todas as minhas facetas.

I think I can handle you, dear body. Mas peço desculpas à você, que é minha casa, por várias vezes passar por cima de você, te expondo a ir atrás de quem não te quis. Seja para quem não quis o seu abraço ou pra quem não quis só sentar com você pra ver o mar ou pra tomar um café.
I'm really, really, really sorry. Sinto mágoa por ter talvez te amado pouco nas minhas buscas por pessoas que não querem você, e em última instância não querem a mim, posto que somos um só. Acho que nesses momentos de rastejamento, fosse pra um homem que me rejeitou ou pra algum amigo (a), eu não respeitei o seu (nosso) resguardo. Não te cuidei, não te protegi como você merecia. Imperdoável. Que merda...



Um comentário:

Alma disse...

Olha essa aqui:

http://deslumieres.blogspot.com/2006/11/padres-de-beleza.html

Ah, adorei a coleção de imagens aqui do lado!Parabéns.