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quarta-feira, outubro 15, 2008


Ai, que delícia!


Se eu pudesse eu almoçaria e jantaria um cone todos os dias da minha vida. Esse enroladinhos com atum, salmão, arroz, mel, cebolinha, camarão, shitake e outras delícias tiram o meu sono. Quando me dá fome, em que comidinha eu penso? Pior do que ser meio carinho pra comer todo dia são as calorias extras. É um alimento relativamente light. Mas só relaticamente mesmo (se comparado a um fast food clássico). Isso porque o peixe tem o mesmo valor de pontos que a carne vermelha, já que o peixe é escuro, então isso desconta muuuitos pontos dos meus 24 diários.

Também sou meio viciada em raiz forte e confesso minha tara de botar bastante só pra ficar com aquela ardência (é algo diferente, pimenta eu já não gosto) até chorar com aquela sensação que a cara tá vermelha e os olhinhos lacrimejando. Como diria Fernanda Gabriela, adooooooooooorooooooooo!!!!!! Eu também, eu também, eu também!!!!!!!!!!

Ontem fui comemorar o aniversário do meu boy e... Cone Lounge, aff... uma delícia de lamber os beiços, adoroooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!! Hoje já retomei o controle :)

quarta-feira, junho 25, 2008

Outro ângulo

por Leandro Quintanilha

Você pode até tentar disfarçar com uma franja, mas, às vezes, é uma imperfeição o que torna você especificamente você. Um nariz assimétrico, uma testa longa (ou curta) demais, um dentinho torto... A caricatura é um retrato desconcertante que destaca as características físicas mais marcantes ou mais ridículas de uma pessoa. E tornam seu semblante autêntico e único. Políticos e artistas são temas preferenciais nos jornais e na internet, mas você não precisa ser celebridade para pagar esse mico. Hoje há caricaturistas por toda parte em feiras, congressos, aniversários até na festa da firma. Em grupo, é ainda mais divertido. Quem não aceita o próprio defeitinho de fábrica fica aliviado ao perceber que todo mundo à sua volta tem alguma coisa fora do lugar, afirma o caricaturista Figuer Maia, que trabalha em eventos há nove anos. Não precisa fazer pose: a descontração e a naturalidade é que interessam. E, por captar também a expressão, o desenho revela ainda as emoções que o rosto passa ao mundo (muitas vezes, a despeito do que o dono dele gostaria). É sua personalidade que transparece na contração das sobrancelhas, dos olhos, da boca. Submeta-se a uma caricatura e descubra se você é um tipo simpático, esnobe, sisudo, espalhafatoso... Você vai se surpreender e se reconhecer ao mesmo tempo.

Esta e a reportagem anterior são da Revista Vida Simples do mês de julho. Beijos e afagos!

Julia :)




terça-feira, junho 17, 2008


Sienna miller image by celebskirts on Photobucket

Não é o que você vê

Beleza é mais do que aparência. Personalidade e atitude também nos fazem parecer mais bonitos

por Rogério Schlegel


Da boca para fora, Vinicius de Moraes não titubeava: "Beleza é fundamental". Ele próprio, no entanto, tinha barriguinha aparente, fumava até amarelar os dentes e conseguia ser ao mesmo tempo meio careca e descabelado. Nem por isso o poetinha sofreu com falta de pretendentes. Vinicius é um bom exemplo de como são duvidosos os juízos sobre a beleza. Melhor pensar direito antes de adotá-los como verdade absoluta. Ou antes de sair perseguindo as formas de uma garota de Ipanema.

É verdade que nunca a imagem foi tão privilegiada, mas isso não quer dizer que sejamos reféns dos padrões dominantes de beleza. Primeiro, é preciso entender como esses padrões são criados. Sim, criados. Os lábios e, ah, as curvas da Gisele Bündchen podem parecer universais, mas nossa admiração por sua figura magricela é um traço cultural. Em segundo lugar, beleza não é só aparência física. Pesquisas mostram que atitudes bacanas e traços positivos de personalidade, como bom humor, fazem com que as pessoas sejam percebidas como mais bonitas. Quem está ao seu redor passa a misturar as qualidades, borrando as fronteiras entre os atributos estéticos e os de personalidade. E isso não é conversa de auto-ajuda para os feiosos. Essa confusão de sentidos, que faz o risonho parecer bonito, tem nome científico: chama-se perda da objetividade.

O melhor de tudo é que essa beleza expandida, que inclui o número de bons-dias que você dá e outros quesitos, pode ser cultivada. E não estamos falando de cumprir pena na academia de ginástica. A idéia é: ressalte o melhor que você tem por dentro e fique melhor por fora. "Você não precisa ser lindo para ser bonito", afirma o cantor Wando, uma autoridade em matéria de beleza interior. Malhar a auto-estima, anabolizar a confiança e esculpir a autenticidade são tratamentos de beleza. Como costuma dizer a publicidade de cosméticos, "todos vão notar". Não há um jeito certo de ser bonito, nem um jeito errado. Cada um encontra sua beleza.

Padrão universal

Falando assim, parece simples ser bonito. E é. Basta procurar os parâmetros do que é belo no lugar certo, ou seja, em você. Se deixar que os outros decidam isso, vai morrer esperando, porque a discussão sobre o que é beleza começou há séculos e não vai acabar nunca. Começa com os filósofos gregos, para quem a beleza estava ligada à virtude moral, o que, bem grosso modo, quer dizer o seguinte: se você é bonita, tem um narizinho arrebitado e aqueles olhos de que eu gosto tanto, provavelmente é também honesta, fiel e mais uma porção de boas coisas. A beleza estava no objeto. Só no século 18 foram perceber o óbvio: a beleza está nos olhos de quem vê. De fato, é fácil constatar isso: as madonas que pareciam lindas aos olhos dos pintores renascentistas são rechonchudas demais para os padrões anoréxicos da moda atual. Para quem não agüenta ver uma sueca ou um norueguês sem suspirar, saiba que os navegadores europeus assustavam muita gente. Para nativos da América, África e Ásia que nunca tinham visto europeus, eles pareciam fantasmas, com suas peles e cabelos claros.

Mas quem matou a charada foi o filósofo alemão Hegel, que disse, no século 19, que o prazer com o belo é um deleite narcísico. Em outras palavras: admiramos aquilo que é o reflexo de nós mesmos. "Em cada época, o que destoa do padrão vigente é considerado incômodo, estranho, feio", diz Charles Feitosa, doutor em filosofia que pesquisa a estética do feio e autor do livro Explicando a Filosofia com Arte. "Aprender a relativizar o conceito de beleza é aprender a lidar com o outro, com o diferente", diz.

Beleza pura

Mas houve quem procurasse um padrão estético absoluto, que fosse considerado bonito entre ocidentais de hoje e da Idade Média, entre ianomâmis e habitantes da Polinésia, entre nigerianos e japoneses. Nesse ramo do conhecimento, a estética, a matemática e a biologia são freqüentemente chamadas para ajudar na discussão.

Os antigos gregos e os renascentistas acreditavam que o belo poderia ser definido por equilíbrios geométricos. Bastava combinar de forma harmoniosa partes de tamanho apropriado. Eles trabalhavam até com uma receita de beleza baseada no equilíbrio espacial, chamada de proporção áurea. Por essa regra, bonito era ter nariz e orelhas com comprimento igual, e foi assim que as pessoas foram retratadas pelos artistas da Renascença. Hoje, essas antigas teses parecem simplistas, mas na verdade elas só foram substituídas por outras, que seguem em vigor, agora dando lucros aos cirurgiões plásticos, em vez de artistas. Tudo isso faz parte do esforço da humanidade para colocar ordem na grande confusão que é a realidade. Quem dera pudéssemos entender a beleza usando fórmulas matemáticas.

A biologia parece ter mais fôlego na explicação dos ideais de beleza. Tudo começa com Charles Darwin, pai da teoria da evolução, que no século 19 percebeu que os animais selecionavam parceiros sexuais pela aparência. Entre os cervos, por exemplo, machos com chifres simétricos são os preferidos. A aparência aí está relacionada à capacidade de gerar filhotes sadios e com maiores chances de sucesso na luta pela vida. Para muitos especialistas, também entre os humanos a beleza seria interpretada como sinal de bons genes. Um exemplo? Mulheres com cintura estreita são bonitas tanto para os índios peruanos do século 16 como para as francesinhas do século 21. O psicólogo Aílton Amélio, do Centro de Estudos da Timidez e do Amor, da Universidade de São Paulo, diz que a relação ideal entre cintura e quadril é 0,67 a 0,80 - ou seja, o ideal de beleza universal prevê cintura que tenha no máximo 80% da medida do quadril. É uma questão estética, que tem por trás uma explicação biológica: cinturas mais grossas geralmente indicam disfunções hormonais e menos chances de gerar filhos. As banhistas de Renoir, consideradas modelo de beleza ao tempo em que foram pintadas, estão no intervalo entre 0,67 e 0,80, segundo Amélio. Quer outra pista da universalidade? Quando ocidentais são mostradas a homens polinésios, eles consideram os corpos delas feios, mas as menos feias são justamente as que têm cintura fina.

No caso dos homens, é universalmente valorizado o espécime que tem ombros mais largos que o quadril e maxilar forte, quadrado. Também há estudos mostrando que rostos que consideramos bonitos em ambos os sexos chamam mais a atenção de bebês - mais um indício de atributos universais de beleza, pois as crianças muito pequenas nem experimentaram as influências da cultura. Em geral, sinais que indicam juventude, fertilidade e afirmação do sexo são considerados belos pelos grupos mais variados.

A ditadura da beleza

Entre os fatores que influenciam a percepção de beleza, é a cultura que parece ter papel predominante na tirania contemporânea da aparência. Há um consenso de que é exagerada a importância que se dá aos traços físicos das pessoas, sobretudo no Ocidente. "Estamos esquecendo os valores éticos e outros aspectos do ser humano", diz o filósofo Charles Feitosa. "Fala-se do aspecto físico como se estivesse em julgamento a qualidade da pessoa."

Algumas mudanças na economia e na sociedade ajudam a entender como chegamos até aqui. Vivemos na era pós-industrial, quer dizer, não é mais a indústria o centro da economia. Hoje, quem avança é o setor de serviços - o comércio, os bancos, o turismo, o lazer. Num mundo com menos operários de macacão e mais mocinhas atrás dos balcões, a aparência conta muito mais. Também o salto tecnológico nas comunicações cria um ambiente em que a imagem é tudo. Basta olhar os telefones celulares à sua volta, a cada dia com mais truques para transmitir imagens. Antes você descrevia a pessoa amada para um amigo, agora vai mostrar a foto dela no celular. É bem diferente, concorda? Também vivemos uma individualização crescente, com as pessoas cada vez mais isoladas e com menos trocas humanas. Passamos a ser julgados menos pelo que somos e mais pelo que, à distância, parecemos ser.

O resultado disso é que o padrão dominante de beleza, inventado por uma meia dúzia e divulgado por outra meia dúzia, contaminou todos os ambientes. Você liga a televisão e lá estão as bonitonas e os saradões no papel de vencedores. Você é bombardeado por peças publicitárias que associam comunhão familiar e beleza, dinheiro no bolso e beleza, ser amado e beleza, felicidade e beleza. O pior é quando isso sai da TV e alcança sua vida. Pesquisa publicada em 1994 pela revista americana American Economic Review mostrou que pessoas consideradas bonitas ganham salários em média 10% mais altos do que as feias. Você se pergunta então se belos traços físicos significam tratamento melhor no dia-a-dia e fica sabendo do teste da moeda feito por psicólogos norte-americanos. Ao encontrarem 10 centavos intencionalmente deixados numa cabine telefônica, 87% dos ocupantes devolveram a moeda quando apareceu uma mulher bonita perguntando por ela. Só 60% fizeram o mesmo por uma mulher tida como feia.

Mas chega de falar do problema. Já dissemos que há padrões aparentemente universais de beleza, que outros são criados pela cultura e que há hoje uma ditadura da imagem, que influencia, de fato, a vida de todos. Tudo isso nos empurra para que nos encaixemos nos padrões de beleza. Mas não estamos sem alternativas. Há várias.

Encontre sua beleza

Comece por não se deixar levar só pela aparência. Explicando melhor: contrariando a primeira impressão, os atributos unicamente estéticos não são o principal quesito usado pelas pessoas para avaliar as outras. Pesquisa em 37 países sobre o que homens e mulheres consideravam mais importante na hora de escolher o parceiro amoroso deu que, para os homens, a boa aparência é o décimo quesito, atrás de estabilidade emocional, inteligência e sociabilidade, por exemplo. Entre as mulheres, ficou em 13º, ultrapassada por elegância, ambição e boa perspectiva financeira.

Mesmo em carreiras em que o visual conta muito, a beleza está longe de ser o único critério de avaliação. "A maioria dos modelos e artistas sofre demais para se adequar a um padrão estabelecido", diz o modelo Paulo Zulu. "Mas o visual pode ser o cartão de entrada e também o cartão de saída. O que fica é o caráter." Para os repórteres e apresentadores de televisão, por exemplo, simpatia, naturalidade e, sobretudo, credibilidade são atributos até mais importantes do que um rosto bonito. "Há casos de gente que desponta usando apenas a aparência, mas esses acabam sendo sucessos passageiros", afirma Luciana Lancellotti, repórter da Rede Record - uma profissão que requer boa apresentação. "Não adianta nada ser maravilhoso e não criar uma relação de proximidade com o espectador." O cantor Wando diz que há espaço de sobra para artistas como ele. "Não sou lindo. Sou um tipo latino, que se bobear fica meio gordinho. Meu forte é a comunicação, e é isso que faz a beleza da gente ficar grande."

A beleza expandida

Wando toca num ponto fundamental: as atitudes e o astral são capazes de deixar você mais bonito. Tire proveito dessa miopia benigna que faz com que suas qualidades todas sejam percebidas pelos outros como beleza. É científico. Experiências demonstram que a avaliação da aparência varia com o contato interpessoal. A mesma pessoa dá notas diferentes para as características físicas de alguém antes e depois de conhecê-lo. Uma presença agradável afeta positivamente essa avaliação, "embelezando" uma pessoa antes avaliada apenas por foto. Está aí um convite para você explorar seu potencial. Abuse de seu bom humor, dê asas a sua simpatia, seja positivo e coloque seu lado bom lá para cima. Nada mais bonito do que alguém que está de bem com a vida, pouco importando a relação entre o tamanho de sua cintura e o de seu quadril. "De que vale uma bela aparência, se a pessoa não está bem com ela mesma?", diz a atriz Luciana Vendramini (aqui à direita, na foto da esquerda). Mais ainda: como é possível ter uma boa aparência sem estar de bem com a gente mesmo?

É preciso lembrar que todos temos defeitos, incompletudes, pontos fracos, mesmo o Brad Pitt. "Se você conhece seus limites e seus pontos fortes e é capaz de aceitá-los todos, será visto como alguém mais bem resolvido e mais bonito", avalia o psicanalista Cláudio Bastidas, autor do livro Outra Beleza, sobre psicanálise, literatura e estética. "O inverso também é verdadeiro: quem não se aceita transmite desconforto", diz ele.

Entre todas as qualidades lembradas pelos especialistas, a auto-estima e a autoconfiança costumam ser as armas mais poderosas na busca por essa beleza ampliada. Simples. Ambas têm um impacto direto na sua maneira de encarar o mundo e na forma como as pessoas percebem você. Quem resiste a quem olha no olho, fala de maneira enfática, mostra firmeza sem ser rude e exibe serenidade sem ser apagado? A questão é que não basta interpretar, é preciso ser seguro de fato. Esses sinais de autoconfiança aparecem nos pequenos detalhes, como na forma de gesticular ou no timbre da voz. Não dá para fingir - nem seria o caso. Gostar de si mesmo e confiar na própria capacidade podem ter efeitos mágicos em sua receita de beleza. Tanto assim que há quem acredite que vem daí parte do poder de quem tem características físicas privilegiadas. "Se uma pessoa se sente bonita, ela desenvolve uma autoconfiança maior e isso reforça sua atitude no trabalho", afirma Maria Irene Betiol, professora de psicologia da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas. "Em geral, uma pessoa que se acha bonita é mais segura de saída e por causa disso deixa fluir com mais facilidade sua competência." Haveria assim uma espécie de "efeito Tostines": a pessoa é segura porque é bonita ou parece mais bonita por ser segura?

Na sedução, boas doses de confiança e dedicação costumam levar mais longe do que um rostinho bonito. "O sujeito que poderia ser considerado fisicamente feio tem armas que o bonito nunca vai desenvolver", avalia o jornalista e escritor Xico Sá, autor do livro A Divina Comédia da Fama. Ele exemplifica: o segundo tipo é mais paciente e aplicado, mais caprichoso no sexo e não costuma escorregar no egocentrismo, como faz o homem bonito. "O Rodrigo Santoro vai para ganhar por nocaute. Já o cara feio tem de ganhar por pontos e precisa ter mais consistência", diz Xico, que se autodefine como um "suposto feio". Para o escritor, não há dúvida de que as mulheres mais atraentes não são necessariamente as mais belas fisicamente. "Entre uma modelo sem um pingo de safadeza e outra mulher mais gordinha e insinuante, fico com a segunda sem vacilar." O fundamental na avaliação dele é não entregar os pontos à ditadura do físico. "Não critico quem faz plástica ou põe silicone, mas é mais saudável você descobrir onde está sua beleza particular", diz Xico.

Perceber quem você é passa a ser fundamental na busca dessa beleza expandida. É preciso descobrir sua identidade. Nesse quesito, o caso do ator Raul Cortez é lembrado pelo psiquiatra Cláudio Bastidas. Embora não se aproximasse do protótipo de beleza masculina, Cortez assumiu seu tipo físico e fez papéis de galã quando era mais jovem. Além disso, a pluralidade da sociedade, com sua riqueza de visões e grupos diferentes, é um bom estímulo para que cada um procure sua turma. Cada tribo tem sua leitura do que é bonito e de que atitudes são valorizadas. Os sociólogos têm musas diferentes dos skatistas, cuja estética é bem diversa da dos surfistas. Saiba ser diferente e procure os diferentes iguais a você.

Na busca de sua autêntica beleza, você pode até concluir que vale a pena tentar se aproximar do padrão estético dominante. Isso de fato tornará você mais feliz? A maior parte dos especialistas não vê nada de errado em caprichar no visual, desde que essa aposta não se transforme em algo doentio. "A preocupação com a aparência física é saudável, é uma afirmação da vida. O que não podemos é exagerar, supervalorizar o corpo e esquecer todo o resto", afirma o filósofo Charles Feitosa. É fundamental perceber que há valores mais nobres em jogo, especialmente a sua felicidade. E, nesse ponto, Vinicius de Moraes é incontestável: é melhor ser alegre que ser triste.

Para saber mais
O Mapa do Amor, Aílton Amélio, Gente
Outra Beleza, Cláudio Bastidas, Escuta
Explicando a Filosofia com Arte, Charles Feitosa, Ediouro

Amei este texto publicado na Revista Vida Simples!

beijos carinhosos!

sábado, maio 10, 2008


AGRESSIVA

Por Julia Porto

Sou uma pessoa bem humorada na maior parte do tempo. Até na hora de acordar, que muitos se queixam da tromba e muxôxo de outros, comigo não é assim. Ou acordo bem, ou acordo normal, ou alegrinha. Só me levanto de mau-humor se estiver com algum problema mais complicado pra resolver logo pela manhã ou se tiver dormido mal na noite anterior.

Mas toda vez que penso em mau-humor, temperamentos e agressividade eu não entendo muito bem porque colocam tudo no mesmo balaio de gatos. São coisas totalmente diferentes, não?



AGRESSIVA IN A BAD WAY



Em algumas situações eu sou agressiva e até muito agressiva e isso me incomoda muito. Sou muito amorosa ao mesmo tempo, de modo que (ainda bem!) nem sempre meu lado negro se ressalta tanto. Só fico triste quando as pessoas não percebem que às vezes só estou sendo espontânea e nada mais, de modo que o outro, por conta das neuras dele, é que se sente agredido. Na minha casa por exemplo às vezes me confundem. Às vezes me tomam por mau-humorada mas eu sou mesmo é o clássico tipo pavio curto. Não. Não acho bonito, não me vanglorio, e nem fico expalhando isso por aí. Mas sou. No entanto nos últimos tempos tenho conseguido melhorar. Acho que porque minha ótima análise me leva a muito boas reflexões e porque assumi pra mim mesma que tenho uma agressividade latente que precisa ser deslocada para algo produtivo: escrever no blog, cantar (que é meu trabalho), caminhar, correr, levantar pesos na musculação, spining e até estou cogitando comprar um saco de boxe (com luvas purple ou cor-de-rosa, claroooo!!!).

Não me sinto impelida a ser agressiva com ninguém, apenas me defendo quando junlgo que vale a pena. E hoje em dia penso 5 vezes antes de me defender com uma resposta mais enfática. Isso porque na grande maioria das vezes é o outro que está jogando as frustrações dele em você. Quando noto que o problema é do outro eu simplesmente saio à francesa, con gentileza, mas desvio. Se tiver a ver comigo e for alguma fala interessante ou significativa pra mim, aí eu converso e fico feliz. Ou até me defendo para também não ser neutra. Neutralidade me irrita (hahahaha!).

Ao assumir mesmo, que sou um tanto quanto irratadiça com as coisas, muito mais do que deveria, e que muitas vezes passo dos limites agredindo o outro e faço mal a mim mesma em meus estados de surtos coléricos, estou conseguindo parar e contar até 10. Às vezes até 20. Confesso.

Meu namorado foi o único que já notou mais nitidamente minha mudança na prática. Outro dia foi muito engraçado que eu me controlei muito pra não explodir por conta de uma besteira qualquer, mas consegui! E o mais hilário foi que ele percebeu e veio me dar parabéns, rindo, achando graça por eu estar sendo mais paciente e tranquila com uma situação que normalmente me deixaria cheia de implicâncias e muito irritada. Mas eu estava fazendo muito esforço, um esforço consciente. Pensei: se não for agora, no olho do furacão, não vai adiantar explodir e depois pedir desculpas a ele e o pior, ficar de mal comigo mesma.

Fiquei super feliz que ele percebeu! Foi muito difícil me controlar, mas consegui. O meu grande esforço pra ficar mais zen e o bom resultado que veio à galope, assim, com uma resposta positiva me fez começar a chorar. Eu sentia que estava me desafiando, e mesmo com um chorinho final, me venci em mais um momento para continuar melhorando.



AGRESSIVA IN A GOOD WAY



Eu costumo falar da percepção do meu namorado, porque ele é um cara que me conhece muito bem e conhece melhor ainda a alma humana. Ele é um ótimo psicanalista em início de carreira e eu prezo demais as opiniões dele acerca deste tema.

Obviamente ele não gosta dos meus surtinhos de irritação mas ele gosta do meu "ser agressiva" quando se refere à tomar inciativas, quando acha que sou passional e vibrante com todo bom sentido dessas palavras. Então, por curiosidade fui olhar no dicionário e vi que esta esta palavra "agressividade" é sinônimo também de "combatividade". Só que não são sinônimos exatos. Ser combativo é ser lutador, ter raça pra enfrentar adversidades e tal.

Mas algumas vezes o Felipe diz que sou mais "agressiva" que muitas mulheres. E nesses momentos ele sempre tem um leve riso de canto de boca e me chama de agressiva com um mixto de seriedade e leve malícia, me fazendo quase um elogio. Nesse caso ele não se refere à minha "combatividade", acho que deve ser à minha pulsão de vida.

Pulsões: a Psicanálise conclui pela existência de um conflito inerente ao ser humano, conflito este entre a “pulsão de vida” e a “pulsão de morte”. A pulsão de vida tem como seus derivados a amorosidade, a criatividade, o desejo de expansão, a generosidade, em fim, tudo aquilo capaz de mobilizar a energia humana para a criação, expansão e manutenção da vida. A “pulsão de morte” expressaria uma tendência para o retorno à imobilidade, que é o nosso ponto de partida (Tu és pó, e ao pó tornarás). Seus derivados seriam a auto e hetero destrutividade, a agressividade, o marasmo, a auto limitação de vida, e por aí vai.


Beijos nas blogueiras queridas do Rio, Sampa e Porto Alegre ou de onde mais vocês estiverem me acessando. Leiam esta ótima matéria abaixo que retirei da Revista Vida Simples, ainda sobre o motor da agressividade. É bem interessante!


Essa nossa sombra



Por Liane Alves da Revista Vida Simples

Tenho um amigo que é totalmente zen. Ninguém tira o moço do sério. Foi despedido por causa de uma sacanagem feita por um colega de trabalho (e ele não conseguiu balbuciar uma frase sequer em sua própria defesa), vez por outra recebe em sua casa amigos que aparecem para ficar uma semana e estendem o prazo para longos três meses e já vi gente pegar alguns bons CDs da sua estante com um cínico e deslavado depois eu devolvo sem que ele esboçasse um único gesto para impedir. Meu amigo não consegue expressar sua agressividade. Num mundo onde a maioria não tem a menor cerimônia em arreganhar os dentes e abrir seus caminhos com os cotovelos, ele tem horror em ver nele mesmo essa reação primitiva que solapa a vida dos outros mortais (ele não, ele não...). Até que um dia, na minha casa, depois de umas três ou quatro caipirinhas, meu amigo começou a despejar ódios e fúrias que provavelmente tinha guardado desde a infância. A minha mesa da cozinha, que já não é essa fortaleza, tremia a cada soco seu, por causa da prepotência de um, da falsidade do outro. Cada gozação recebida, cada injustiça passada estava registrada em sua memória. Tive a impressão de que, se o rapaz dos CDs passasse por ali, teria sua mão decepada, e o colega de trabalho, os dentes moídos. Os hóspedes inconvenientes seriam postos para fora a sopapos. Depois de socar e socar, terminou chorando pelo verdadeiro motivo de sua ira: a incapacidade de entrar em contato com as emoções negativas.

Bem, minha cozinha está longe de ser um set terapêutico, mas, ao encontrar o moço alguns dias depois, vi um sorriso em seus lábios que não estava ali antes. Ele se sentia um pouco envergonhado, sim, mas feliz. Um peso enorme havia saído de seu coração, me garantiu. Um alívio. Estava supercontente por ter descoberto que era capaz de expressar sua agressividade. Claro, ele reconhecia que ainda tinha de aprender a saber como aplicá-la na hora certa, a regular seu volume, e que isso custaria tempo e trabalho. Tinha encontrado cara a cara seu lado negro, sua sombra, de quem tinha tanto pavor (a ponto de negar sua existência). A partir daquele momento, me assegurou, tudo era uma questão de calibragem. Pode ser imaginação minha, mas a partir desse dia passei a ver muito mais cor e vida em seu rosto.


Quem, eu?!



É muito difícil mesmo mexer no caldeirão das bruxas. Ali tem asa de morcego, rabo de lagartixa, perninha de aranha. Sem contar que o cheiro da gororoba não é nada agradável. O problema é que o caldeirão das bruxas não está ali fora, está aqui dentro. A gente disfarça, tenta negar (O quê? Essa asinha de barata é minha?! Esse sapo costurado sou eu?!), mas a verdade é que nossa sopona está lá o tempo todo, cozinhando e fervendo. Muitas vezes com a tampa fechada.

E por que não mexemos no caldeirão logo de vez, já que está ali mesmo e não dá para dizer que ele não existe? Ora, porque nos pelamos de medo, ué. Vai que o caldeirão entorna? Vai que nos queimamos com seu conteú do? Vai que a gente precise encarar quem a gente realmente é? É por isso que só é aconselhável mexer no caldeirão com uma colher de pau beeem comprida. Por algum tempo, o panelão vai ter de ficar a uma distância razoável, como se não nos pertencesse. Assim, sob a luz da consciência e com um certo distanciamento, a gente consegue ver bem direitinho o que tem lá dentro. Até que chega um dia, depois de observar bastante, que a gente é capaz de dizer coisas como: Nossa, é mesmo, eu fiquei com tanta inveja dela que... Ou: Tava me mordendo de ciúmes quando... O conteúdo do caldeirão é assimilado, reconhecido e, quando possível, transformado. Assumimos nosso lado B. O inferno agora não é mais só o outro, nós também temos carteirinha de sócios beneméritos. A partir disso, a gente fica mais humano, mais relax. E as pedras que tínhamos reservado para atirar no próximo escorregam naturalmente da mão. A luz da consciência também deixa o caldo mais clarinho, menos malcheiroso e mais fácil de mexer. Dizia o psicanalista suíço Carl Jung que é melhor ser inteiro que ser bom. Mas, para atingir essa totalidade e alcançar essa integração, é preciso ter a disposição de dar o primeiro passo: encarar para valer o nosso lado negro da Força.


Encontro com Darth



Lembra o Darth Vader do filme Guerra nas Estrelas? Alto, imponente, capa negra esvoaçante, voz sintetizada. E o capacete. Darth Vader não seria Darth Vader sem o capacete. Com aquela máscara metálica, ninguém sabia sua identidade, quem ele era ou, pior ainda, o que ele era. Sua capacidade de espalhar terror, seu poder e seu fascínio vinham disso. E aí, no fi m do filme, quando o jovem Luke Sky walker encurrala o bicho e é retirado o capacete, a gente vê aquele vermezinho branco dentro, um homem fraco, deformado, sem voz. O mago das trevas tirava sua força do que parecia ser, alguém poderoso e invencível, não do que realmente era, uma coisinha frágil, encolhida. O homem da capa preta não passava de um tigre de papel, uma sombra que só tinha poder enquanto... sombra.

Nossas emoções negativas, como medo, ódio, raiva, ciúme, inveja, cobiça, rejeição, ansiedade, pena de si mesmo, fraqueza ou desejo de falar mal dos outros, entre outras, também são assim. Elas parecem poderosas, invencíveis, mas se a gente descobrir como elas se formaram, de onde elas vêm e como funcionam, vamos ver que não passam de uma semente minúscula que se agigantou, alimentada por nós mesmos, diz a psicóloga paulista Maria Lúcia Albuquerque, especialista em terapia familiar. Quando nos damos conta de como tudo surgiu e o que realmente se esconde atrás desse tipo de emoção, todo o castelo que construímos a partir dela desmorona. E aí, bye-bye, sombra.

O filme também nos dá outra excelente pista com relação a Darth Vader. Revela-se que ele é o pai de Luke. O jovem guerreiro lutava contra alguém que estava muito mais próximo do que ele próprio podia imaginar. Darth Vader não era uma pessoa de fora, mas de dentro, da família, do mesmo sangue. Portanto, alguém íntimo, quem sabe até bem parecido. As emoções negativas também estão associadas a nós, a nossa maneira de ver o mundo. Não dá para dizer que elas são uma coisa e nós outra. Elas nos espelham, diz Maria Lúcia.

Outra boa indicação: o ódio de Darth Vader nasceu por causa de um sentimento de rejeição, experimentado ao ser excluído pela Força. E quem, depois de um acontecimento desse porte, já não escutou aquela vozinha ressentida dizendo dentro da gente: Ah, é assim, é? Então vocês vão ver... Pois é, Vader também ouviu e foi atrás. Exagerou, é verdade. Mas dá para compreender. Ainda mais por alguém como Luke, que conhecia a rejeição bem de perto, sendo ele mesmo um enjeitado. Quando a gente compreende as razões da sombra, é possível abraçá-la, integrá-la, e ver como seus motivos geralmente são tão pequenos, tão bobos. A sombra pode ser grande, mas seus motivos são quase infantis.

O problema é que Darth Vader extrapolou. Ele poderia ter pego a raiva do ah, é assim, é? e fundado uma versão bem mais moderna e sofisticada da Força. Ou ir para um planeta bem distante e esquecer de uma vez por todas essa história de competição, de maior e melhor, e ser feliz ao lado de uma marciana bonitona. Como diria meu amigo, faltou calibragem. É o que geralmente nos falta mesmo ao lidar com nossas emoções.


O peso da balança



Uma pergunta fundamental é: quem, ou o quê, reage dentro de nós de forma tão automática? O que detona as emoções? Quem aperta o gatilho mais rápido do Oeste?

A palavra emoção tem a mesma raiz da palavra movimento: motio, ou ação. E o que tem movimento tem vida. São as emoções que nos impulsionam à ação e que nos fazem sentir o gosto da vida. E elas fazem parte dela, tanto as chamadas emoções positivas como as negativas.

A questão é que são as emoções negativas que nos fazem mal. Elas podem ser naturais, fazer parte da gente, mas isso não impede sua ação nociva. Tanto sua expressão exagerada e contínua como a não-expressão inconsciente podem nos prejudicar. Hormônios entram em ação, órgãos são atingidos, sistemas internos, desequilibrados. E muita energia é perdida. Tudo isso por quê? Uma das respostas é porque estamos à mercê de uma estrutura psicológica reativa que nos impulsiona a agir quase sempre da mesma maneira. Isto é, segundo vários sistemas de pensamento, temos um padrão emocional predeterminado que responde quase automaticamente aos estímulos.

Os antigos gregos chamavam essa tendência reativa emocional de humores. Um tipo sanguíneo, por exemplo, normalmente reagiria exteriorizando abertamente sua raiva, seu ciúme, sua fúria. Um tipo mais bilioso (de bile, secreção do fígado) tenderia a remoer mais seus sentimentos. E um melancólico poderia sentir tristeza ou depressão.

As medicinas indiana e chinesa também se baseiam na idéia de que existem determinados padrões emocionais e energéticos que condicionam as pessoas desde o nascimento. Para os indianos, eles estão baseados em diferentes combinações de três forças: pita (fogo), vata (ar) e kapa (terra). Se uma pessoa é kapa kapa, por exemplo, vai ser calma e bonachona. Se é pita vata, elétrica e impaciente e assim por diante. Para os chineses, os fatores de infl uência que regem os diferentes tipos humanos são relacionados aos cinco elementos: madeira, fogo, terra, metal e água, balanceados de acordo com a data em que nascemos. A astrologia (tanto a ocidental como a oriental) é outra tentativa de conhecer melhor esses padrões reativos emocionais, representados pelos signos.

Na psicologia, outros fatores de influência sobre as emoções foram descobertos e pesquisados. Freud trouxe o peso do inconsciente nas respostas emocionais, Jung acrescentou a importância do inconsciente coletivo e da força dos arquétipos (foi ele também que criou a classifi cação de introvertidos e extrovertidos). Outras correntes da psicologia, como a comportamental, referem-se a padrões reativos, mas motivados pelas vivências de cada um, isto é, aprendidos a partir de nossas experiências. A moderna psiconeurobiologia também confi rma a tese dos padrões: os circuitos cerebrais tendem a se repetir na mesma confi guração se não há estímulos para sinapses (conexões entre os neurônios) diferentes. Forma-se um círculo vicioso: se usamos sempre o circuito cerebral que nos torna tristes, por exemplo, liberamos no corpo substâncias (os neuropeptídeos) relacionadas à tristeza que, por sua vez, vão estimular o mesmo caminho no cérebro que nos deixam tristes.

O ponto em comum entre todos esses sistemas é que eles apontam para a mesma direção. Só há uma maneira de ultrapassar o padrão reativo emocional: é ter mais consciência dele. E, a partir disso, experimentar a possibilidade de outras reações, já não tão automáticas e mecânicas. É assim que se pode começar a equilibrar as emoções, a dosar sua ação e a fazer nossa auto-regulagem.


Estratégias de vida



Um dos estudos mais interessantes já feitos sobre as emoções foi realizado pelo cientista austríaco Konrad Lorenz (1903-1989), ganhador do prêmio Nobel em 1973 e diretor do Instituto Max Planck, um centro de excelência em pesquisas. Konrad era especialista em comportamento animal. E viu como nossas emoções, assim como as dos animais, estão ligadas à defesa do território, ao desejo pela liderança de um grupo ou ao ímpeto de acasalamento. Elas se manifestam como estratégias eficazes de sobrevivência. Têm sua razão de ser, portanto.

A única diferença entre nós e outros animais é que podemos raciocinar sobre as emoções e, se necessário, ser capazes de redirecionar nosso comportamento a partir da nossa observação e inteligência. Um grande passo, sem dúvida. O problema é que muitas vezes a gente tropeça.

Mas foi para nos ajudar a ter mais consciência das emoções e a lidar com elas de uma forma mais inteligente que surgiram milhares de técnicas, terapias e aquele monte de livros do Daniel Goleman, o papa da inteligência emocional. Todo o arsenal das terapias orientais (massagem, acupuntura, aromaterapia, ioga, tai chi, meditação...) está aí exatamente para isso. Os consultórios de psicologia e terapias corporais também.


Historinha grega


Conta-se que um jovem pastor queria muito tornar-se discípulo de um dos grandes filósofos de Atenas, a cidade da sabedoria. Quando soube do seu intento, o filósofo mandou um ajudante procurá-lo para propor-lhe uma difícil tarefa: durante três anos, ele seria obrigado a não expressar suas emoções negativas. Ao fazer isso, devia olhar para o que ocorria dentro de si. Além disso, devia dar três moedas a cada pessoa que o ofendesse. Durante esse tempo, o pastor cumpriu sua tarefa: a cada inveja, a cada raiva ou angústia, fechava a boca e olhava para seu mundo interno, cada vez mais consciente do seu caldeirão. Aos poucos, aprendeu a não se identifi car com o que era dito, a conhecer melhor seus mecanismos emocionais e a rir de si mesmo. Ao mesmo tempo, não se esquecia de dar as três moedas a quem o xingasse ou o ofendesse. No fim do período, arrumou suas coisas e partiu rumo à cidade da filosofia. Ao passar pela entrada, um mendigo, na verdade o filósofo disfarçado, começou a xingálo: Idiota, pastor de cabras ignorante e pretensioso, onde pensas que vais? Esta cidade é só para quem atingiu a sabedoria, e não para alguém imprestável como tu! O jovem caiu na gargalhada e disse: Até há alguns dias eu era obrigado a pagar a quem me ofendesse. Agora que estou livre desse compromisso, que maravilha, posso receber seus xingamentos inteiramente de graça... O filósofo aprumou-se, sorriu e disse: Pode entrar, meu rapaz. Atenas é sua.

sexta-feira, maio 09, 2008


A AGRESSIVIDADE designa uma tendência especificamente humana marcada pelo carácter ou vontade de cometer um ato violento sobre outrem. Pode também ser definida como uma tendência ou conjunto de tendências que se atualizam em condutas reais ou fantasmáticas, as quais visam causar dano a outrem, destruí-lo, coagi-lo, humilhá-lo, etc. (Laplanche e Pontalis, 1973).

Não percam em breve: agressividade.

quarta-feira, abril 23, 2008



Meu olhar de mim mesma.

Fotos das pulseiras, Julia por Felipe e Julia por Julia de 21 de abril de 2008.

segunda-feira, abril 07, 2008


CONFIANÇA


Faz de conta que você é um trapezista e que está numa plataforma a 20 metros de altura esperando sua vez de se lançar no espaço vazio. Você se preparou, fez vários treinos com e sem rede e sabe que pode contar com seus companheiros que estão ali do outro lado. Naquele centésimo de segundo antes de se jogar, tudo o que você precisa fazer é encher o peito de confiança: em si mesmo e, principalmente, é claro, nos outros. Você inspira fundo, toma impulso e vai como se fosse possível voar sem asas e desafiar a lei da gravidade para sempre naquele curto espaço de tempo. E, quando inexoravelmente começa a cair, alguém pega com vontade nos seus pulsos e o traz de volta para aquela coreografia impossível e bela sob o céu colorido de um picadeiro.

Uma das cenas mais bonitas entre pais filhos é ver uma criancinha correr de braços abertos em direção a seu pai ou sua mãe para se jogar neles com a maior felicidade. Ela sabe que vai ser amparada e acolhida com segurança e amor e por isso não tem a menor dúvida. Isto é, ela tem total confiança na vida. E o que faz alguém se lançar no mundo com essa mesma coragem, determinação e alegria é a tal confiança.

A própria palavra confiança tem em si mesma o segredo de como ela nos dá essa força que nos permite ultrapassar nossos próprios limites e medos para acreditar na begnidade da existência. Confiar vem do latim con fides, isto é, com fé. A confiança, portanto, é uma questão de fé. A gente pensa que a fé pertence ao universo da religião, que está apartada da vida comum, mas isso não é verdade. É a fé que nos preenche o coração na hora de nos atirarmos num projeto, nos entregarmos em relacionamentos, perseguirmos um objetivo. Não se pode saborear plenamente a vida sem fé. Ela é nosso mais poderoso catalisador de energias.

E fé é muito mais que crença ou dedução de um raciocínio lógico. Ela é incondicional. Isto, é não depende de conclusões, lógicas, probabilidades, previsões. Muitas vezes, até, ela vai exatamente em direção oposta ao que tem chance de dar certo. A fé, basicamente, é um exercício dinâmico de coragem. E coragem, como o próprio nome diz, é ter o coração na ação. Quando colocamos o coração naquilo que fazemos, somos impulsionados pela fé, pela confiança. Ultrapassamos assim uma série de bloqueios e obstáculos, internos e externos, com resultados impossíveis de serem atingidos sem sua presença.

Por isso a confiança é tão poderosa. Dezenas de pesquisas mostram que a fé é decisiva para a manutenção da saúde, por exemplo. Pode ser tanto a fé em Deus quando a fé na vida, num sonho, num projeto. Mas ela é fundamental para nossa saúde física e psíquica.

Então a próxima pergunta é: se a confiança na vida é tão importante, por que não nos atiramos de peito aberto de uma vez por todas?

A pessoa que confia está a léguas de distância daquele otimista insuportável que sempre acha que tudo vai dar certo. O otimista de carteirinha parece que está inchado, inflado como uma bola de gás. Tudo nele tem um ar forçado, artificial. O otimista quer que as coisas dêem certo, custe o que custar. Já a pessoa confiante exala naturalidade, graça, leveza. Ela não é obsessiva.

Então é isso: quem confia se sente seguro e tem fé na vida, não importando o que vai acontecer. Prepara-se, física e psicologicamente, tem ajuda ou pede por ela, treina muito e como Zorba, o grego (do clássico do cinema), depois do baque inicial, é até capaz de dançar com um sorriso sobre o próprio fracasso. Sinceramente, talvez você e eu ainda não tenhamos chegado a esse ponto verdadeiramente invejável. Mas tenho certeza de que, com um pouco de prática, entrega e abertura, ainda chegará o dia em que finalmente teremos coragem de chegar à pontinha da plataforma do trapézio, contemplar o ambiente e nos atirarmos. Com muito mais confiança.


Adorei este artigo da Liane Alves da revista VIDA SIMPLES deste mês (abril de 2008). A revista é ótima, indico! Bom voltar a postar escritos por aqui! Muitos escritos dos outros, alguns meus... e seguimos o caminho.

sábado, setembro 16, 2006


RE-ACORDO COMIGO


Todos os dias, mesmo nos dias de muito sono, quando está mais frio, ou mais quente, mesmo nos dias de preguiça atroz, eu sempre penso que é melhor acordar pra sair pra trabalhar. É sempre um novo despertar para a vida, sempre mais uma chance ou várias chances de acertar, ser mais relax, e cúmplice de mim mesma.

É óbvio o que vou dizer na sequência, mas tem umas obviedades da vida que são bem boas pra gente pensar. Eu posso sair do convívio dos outros, mas não posso me abandonar nunca, ninguém deve se abandonar nunca. Senão você fica triste, sem banho, sem brilho, sem alegria.

É um exercício e tanto se aturar. Quando não estou me aturando, dispenso companhia. Ajuda da amiga também não serve. Se eu não tô pra mim, também não estou pra ela.

Por isso é interessante fazer re-acordos consigo de tempos em tempos. Pode ser de três em três meses... um mês é pouco, aí cansa. Mas é legal se perguntar como vão as coisas, se você está caminhando para onde que ir, se está sendo da melhor forma quem você é, se está feliz, se o respeito pelas suas escolhas e necessidades está zerado ou se precisa renovar o contrato.

Os acordos mais limpos, abertos e promissores são aqueles da gente com a gente mesmo.